fevereiro 15, 2011

Igor


Prosa.
Em terceiro lugar...CRUZ NA ESTRADA, por Afonso
De longe a mais LITERATA das produções. Construidinho com capricho, formatado, enfim, fino. Dá pra perceber que você pensou bem onde encaixar cada vírgula, cada palavra. Só que ao mesmo tempo tu também foi atento a oralidade.
Espera que esse comentário tá muito TIA ROSANA PROFESSORA DE LITERATURA DA 7ºB.
Bem, o que eu quero dizer, é que embora ninguém fale como você escreve, dá pra imaginar um bigodudo de bombachas bebendo chimarrão e distribuindo esse CAUSO na beira da fogueira. Sinal de que tu se preocupou bem também com vocabulário. Acho que mato que é do RS só por causa das “charqueações”.
Gostei da história, CONTOS DA CRIPTA versão pampas. E tem humor também. Ri já no primeiro parágrafo (“de jumento desgovernado a facada no rim”).
Acho que o único problema, que não é bem um problema, tá no fato de que antes da resolução do conto, todo leitor já conhece o final. Você introduz nos três primeiros parágrafos que tem um EBÚ da porra na tal estradinha. No quarto momento, tem uma mulher à beira de parir passando por lá. Pô, é claro que todo mundo já sabe que alguém vai empacotar.
Acho que na literatura curta o maior barato é como no poker: tirar no river, aquela carta marota que fecha um royal straight flush na sua mão e bate o trio de ás do outro cara. Nos finalmente mermo.
Mas não esquenta, gostei mesmo. E certeza que não fui só eu.
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Em segundo lugar...Animal: anta, por Gustavo Ben Linus
Sensacional. Gostei mesmo. De longe o texto mais leve de todo os candidatos. Gosto da despretensão quando ela vem com talento. Autor tem as manhas de ser sutil, com um ritmo daqueles que nos fazem devorar um livro volumoso de contos sem perceber o tempo e as páginas passarem. Sabe, é exatamente o que eu sentia quando lia Luis Fernando Veríssimo nas antigas, as coisas mais acessíveis dele, que é um convite do caralho pra primeiras leituras.
Eu acho a pegada do conto completamente adaptável pra roteiro de cinema. Curta-metragem com levada de falso documentário, stop motion ou desenho animado - acho que você devia trabalhar essa dica aqui.
 Engraçado que hoje eu estava assistindo “Os Deuses Devem Estar Loucos”, dublado, no youtube - o filme começa com o narrador descrevendo os hábitos do povo lá do deserto, sendo que só depois de alguns minutos você lembra que é comédia e não um tratado antropológico. Associei a voz do narrador com a leitura desse conto no ato, hahaha.

Enfim, mesmo com a associação brinkerz do homem com a anta, lá no comecinho, bato palmas valendo pra um texto que não passa mensagem específica, que não tem uma cRíTiCa e que não recorreu a nenhum clichê que sobrou aqui nos outros textos – chuva, cigarro, mão no bolso, café, malas,viagens, etc. Acho que é o texto com menos recursos estilísticos também. Mas facilmente é o mais imaginativo. Me fez rir bem. E checar debaixo da minha cama à procura de antas.
Enfim, você tem as manhas e sabe ser simples, direto e criativo. Parabéns, mesmo. Por ser bem sucinto, acho que você é que mais se adaptaria a fazer literatura pra internet.
Abre um blog profiça, pô. Faz uma série de fauna imaginária, se pá. Trava a relação de cada bicho com o que você quer zoar. Esse desenho é teu? Fechou completamente com a estética do texto.
Não faço idéia de quem é o autor comentado.

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Seu subtítulo é uma merda.
Mas seu final mata a pau, na moral. Curti e ri pra caralho.
Você manja que boa literatura não é descrição excessiva - e ainda sim dá pra fazer uma imagem legal com todos os teus desenhos. O SETROIMIR, na minha cabeça, é idêntico àquela repartição que o personagem principal de “Brazil” do Terry Gilliam trampa. Cyperpunk nas gambiarra.
É muito massa teu jeito de diminuir os personagens e aproximá-los da estupidez. É completamente caricatural. Manja o Woody Allen na literatura? Me lembrou bem. É a chave pro humor desse conto, mas até que os exemplos estúpidos (tipo o pai do cara ter uma PLANTA CARNÍVORA como cão de guarda). Ainda que tivesse o mesmo número de páginas e metáforas melhores, se tu investisse mais em explorar teus personagens a graça ia toda embora. Mas você sabe disso e sua displicência é proposital, ainda bem. 
Eu queria UM POUCO MAIS na cena da morte dos caras. Podia até ser mais simples, mas não enxerguei tão legal, acho que tá meio truncado.
Tem umas coisas de sua estilística que eu acho que deveria trabalhar melhor, também. Tipo, claro que foi opção sua separar o perfil dos dois personagens com “-----“, mas mano, seria mais legal se tu abolisse ele. Um caminho seria tu pegar algo que eles compartilham, mesmo em vidas tão distintas, pra relacionar. Sem parar o texto. Até umas retrancas cairiam melhores.

Mas bah, foda-se, não importa muito. Você pensa em clichês e em coisas sem sentido AO MESMO TEMPO, e ainda sabe brincar com elas. Tem sequência que é lógica, quando é pra ser. Tem outras que são completamente aleatórias. A sensação de ler algo bom e inesperado ao mesmo tempo é boa demais.
Torço muito pra que você cope essa parada.

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