Lucas C.
Introdução
“Tchau BH!”. Minha eterna casa até então iria ficar para trás por uns dias. O cidadão do São Joaquim iria atravessar o estado. Vinte anos nas costas e com o cabaço das rodovias em mãos. Não havia ido mais além do que 60 km de Belo Horizonte e de repente iria para a praia. Meu Deus! Praia! Nem Sal, nem Dean, iria eu e meu pai de Pálio prata 1.0. Deixaria as Minas Gerais não de trem, mas com um trem. Destino final? Itaipava, Espírito Santo.
Asfalto mais asfalto = suor
Fui no banco do passageiro todo o tempo. Yes, baby, não tenho carteira de motorista ainda. No mais não vou encher linhas sobre cada quilômetro dos mais de 600 percorridos. Só tenho algumas considerações a fazer:
1. Escute música na viagem. Curti um Weezer boladão nos fones de ouvidos made in China.
2. Coma biscoitos recheados. Sim, essa combinação mais água farão seu estômago achar que está cheio.
Manhuaçu e Manhumirim são cidades projetadas para serem feias. Nota 0 no quesito alegorias e adereços para elas.
3. Carros 1.0 podem ultrapassar BMW’s. Sim, vi isso in loco na minha frente. Dá-lhe Uno copeiro!
4. Idosos não sabem dirigir Tucson’s. Um vovô de boné travou a gente por um bom tempo por não conseguir fazer mais do que 80 km/h no seu carro coreano.
5. No mais a aventura não foi cheia de aventuras, hahahaha. Chegamos na ultra-mega-hiper cidade de 12 mil habitantes às 5 horas da tarde. Pimba! Vi o mar ali chegando. Bonito, até.
Mar, verde, mar
Outra coisa queridão, o mar não é azul. Que mané blues o que. A parada é verde água e pronto. Aliás, a água nunca é azul. Seja no mar, no rio, na lagoas, no seu copo d’água e na minha piscina. Ela vai do marrom cocô ao transparente xixi, mas nunca passa pelo azul. Pare, pense e discuta isso com amigos, ok?
Ahn! A areia da praia é fofa e mais rala que as areias de construção. Até ai, nada demais. Só destacar que sou a última pessoa a saber disso no mundo. Opa! Talvez algum outro mineiro não saiba. Afinal, só Minas Gerais é o único estado do Brasil que não tem praia. É fato, todo mundo sabe que o Mato Grosso tem praia, que o Tocantins recebe turistas pela sua maravilhosa costa marítima e que Goiás é o pólo do surf tupiniquim.
Capixabas: zumbis ou fanfarrões?
Você é capixaba? Não, não é. Conhece algum? Não, não conhece. Sabe de algum famoso? Não, não sabe. E nem vale citar o rei Roberto Carlos nem o glorioso Jair Bala, ídolo do América Mineiro.
Pois bem, colegas de classe, nada contra o povo daqui --- vós escrevo em terras “azul e rosa” ---, mas minha primeira impressão dos homo sapiens que conversamos foi de ficarmos putos. Bom, pelo menos eu e o velho José, meu pai, rimos de tudo.
Nenhuma alma viva sabia indicar o caminho correto de Castelo para Cachoeiro do Itapemirim. Uma nobre trintona loira de farmácia apontou com toda convicção um caminho de pedras. “Pera ai, pai! Vamos perguntar pra outra pessoa e ter certeza”, falei. Ai encontramos um cara que falou que era pro outro lado para a gente subir a rua. Pronto, quem estava certo? Mais umas 3 vítimas de 2 mineiros deram sua versão do caminho. Resultado: 5 possibilidades. Confiamos no nosso giro cerebral e nas maravilhosas placas e conseguimos chegar a Cachoeiro do Itapemirim.
Pennnnnnnnnnnnn! Na entrada de Itaoca e Itaipava --- as cidades são gêmeas siamesas --- questionamos mais nativos sobre a rua Ouro, endereço de primos e amigos que íamos visitar. Ninguém sabia. Nada, neca, not, no. A rua Ouro ou havia sido roubada ou era subterrânea. Incrível como nossos semelhantes que tentam falar como cariocas não sabiam nos indicar para tal endereço. “E fudeu!”, gritei e comecei a xingar tudo. Levamos meia hora e rodamos as duas cidades umas 3, 4, 5 vezes pra achar na cagada a bendita da rua.
Ai sim, passamos de fase e ganhamos um level nesse jogo da vida.
Sol, “El destruidor”
A polícia procura um perigoso assassino de peles. “Derretedor” de mentes e torturador de pés descalços. Seu nome? Sol, “El destruidor”, informava a fantasiosa plaquinha de “procura-se” na minha mente louca.
Estávamos na praia no dia seguinte na companhia do ser citado acima. Aquilo ali era uma legitima praça de guerra para os albinos. Morreriam todos bombardeados pelos raios UV em questões de minutos. Uma Blitzkrieg arrasadora!
Sim, me queimei e nem sou albino, haha. Pele vermelha, dor sorrateira. Era de se esperar, né? Não dei bola por um motivo. Estava muitíssimo mais perto da Europa agora! Hahahaha! Exato! Certeza que ia chegar em Portugual se atravessasse aquele horizonte. Ou seja, a Europa estava a uns 4 km da costa capixaba. Se eu descesse chegava na costa africana também.
Tipo, sensação certeira e nada delirante de ácido que eu estava e estou certo de que é possível fazer uma ponte pra ir pra lá. É tipo uma Rio-Niterói, só que menor. Afinal, é mais demorado ir pro Rio de Niterói do que de Itaipava para Lisboa. Yeah, baby!
Continua........
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